Por Paulo de
Tarso
Nada nos revela mais a nossa inferioridade do que a iminência da morte
em nossas vidas. A significância da morte, tal qual a conhecemos, é alimentada
pelo nosso sentimento de apego às coisas materiais, ao nosso comportamento
hiperegoico, à nossa ignorância quanto a continuidade infinita da nossa
existência, juntamente com todas as percepções que nos cegam toda vez que a
defrontamos. Ao presenciarmos a morte de alguém, lamentamos, sentimos, nos
desesperamos, tal qual seja o nosso apego àquela pessoa que se vai. Jamais
pensamos que a fisiologia do corpo nos remete a esta situação de forma
inexorável, independente de cor, credo, situação social ou qualquer outro
atributo validado por nossa ignorância. A morte é a causa maior das nossas
angustias e, segundo alguns, a razão de termos “inventado” Deus e o seu paraíso
para que esta dor seja amenizada.
O que me chama atenção no fenômeno da morte é a sua capacidade de nos
fazer refletir. Alguns, diante deste fenômeno natural, esgarçam-se em seus
prantos desesperados e sucumbem à depressão. Outros, diante do mesmo fato,
reflexionam a respeito da volatilidade da vida e da nossa pequenez. Porém, com
o tempo que tudo passa e tudo cura, nos voltamos mais uma vez à nossa vida,
presos a carne, como se esta fosse o nosso único reduto.
Esta semana, aconteceu uma morte diferente. Chamamos de diferente a
morte de alguém que, possuidor de tanto poder e dinheiro, parecia-nos imortal.
Morreu um homem que conseguiu fazer tudo. Foi o inventor da microinformática, foi co-inventor da computação gráfica em filmes,
fez de uma pequena empresa um gigante que engoliu outro gigante, foi expulso da
empresa que criou por ser inventivo demais e, depois, voltou para fazer dela a
maior empresa do mundo. Antes de morrer, a sua empresa tinha em caixa mais
dinheiro do que os Estados Unidos da América, então a maior potencia do globo.
Tornou-se um Midas, um homem que tudo que tocava virava imediatamente ouro.
Milhões de pessoas se engalfinham em
filas pelas suas ultimas novidades e, ele, mesmo assim, morre. Morre como o
menino Lucas, que saiu de sua casa depois de ter acumulado uns trocados
vendendo jujuba nos ônibus de Salvador para comprar um caminhãozinho, a sua Big
Apple, o seu primeiro brinquedo. Ao descer do ônibus ostentando o seu merecido
troféu, Lucas foi colhido por uma moto que fugiu levando a culpa e, de quebra,
a sua vida. Ambos realizaram sonhos e,
PUM! Fim. A morte é para todos, assim
como o sol.
Bilhões de dólares não salvam vidas! Quando a nossa missão acaba e não
há mais o que fazer neste plano, nos vamos sem escapatória. Os Dólares amenizam
o sofrimento dos que sucumbem ante a indiferença humana e possibilitam, se
distribuídos, um acalanto para o sofrimento daqueles que não os tem. O poder
não salva vidas, mas, através dele, pode-se fazer a vida de todos muito melhor.
Dinheiro e poder são os objetos da ilusão material que a Física Quântica já se
encarregou de desvendar. Eles alimentam os nossos sentimentos primitivos, nos
levam a cobiça e à morte, justamente quando deles fazemos os guias das nossas
vidas. O poder desvirtua o valor e o dinheiro materializa a ilusão.
Sonhemos com um mundo livre da morte, livre da dor, onde nos entendamos
como Espíritos que somos, livres da ilusão de um mundo onde nada adianta matar
para continuar a ser ou morrer apenas para poder ter. No final, todos estes corpos
perecerão e, depois disto, continuaremos a sós com as nossas culpas e as nossas
dividas. É preciso dar valor apenas ao que tem valor eterno. Pensem nisto!
* - Paulo de Tarso: Sócio-diretor
da Ideia Digital, Analista de Sistemas, Especialista em Redes de Comutadores, Certificado
Chief Security Officer (Módulo), Ex-Presidente da ASSESPRO, Membro do CDI (Committee
to Democratize Information Technology).
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