sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A MORTE SEM MISTÉRIOS


Por Paulo de Tarso

Nada nos revela mais a nossa inferioridade do que a iminência da morte em nossas vidas. A significância da morte, tal qual a conhecemos, é alimentada pelo nosso sentimento de apego às coisas materiais, ao nosso comportamento hiperegoico, à nossa ignorância quanto a continuidade infinita da nossa existência, juntamente com todas as percepções que nos cegam toda vez que a defrontamos. Ao presenciarmos a morte de alguém, lamentamos, sentimos, nos desesperamos, tal qual seja o nosso apego àquela pessoa que se vai. Jamais pensamos que a fisiologia do corpo nos remete a esta situação de forma inexorável, independente de cor, credo, situação social ou qualquer outro atributo validado por nossa ignorância. A morte é a causa maior das nossas angustias e, segundo alguns, a razão de termos “inventado” Deus e o seu paraíso para que esta dor seja amenizada.

O que me chama atenção no fenômeno da morte é a sua capacidade de nos fazer refletir. Alguns, diante deste fenômeno natural, esgarçam-se em seus prantos desesperados e sucumbem à depressão. Outros, diante do mesmo fato, reflexionam a respeito da volatilidade da vida e da nossa pequenez. Porém, com o tempo que tudo passa e tudo cura, nos voltamos mais uma vez à nossa vida, presos a carne, como se esta fosse o nosso único reduto.

Esta semana, aconteceu uma morte diferente. Chamamos de diferente a morte de alguém que, possuidor de tanto poder e dinheiro, parecia-nos imortal. Morreu um homem que conseguiu fazer tudo. Foi o inventor da microinformática, foi  co-inventor da computação gráfica em filmes, fez de uma pequena empresa um gigante que engoliu outro gigante, foi expulso da empresa que criou por ser inventivo demais e, depois, voltou para fazer dela a maior empresa do mundo. Antes de morrer, a sua empresa tinha em caixa mais dinheiro do que os Estados Unidos da América, então a maior potencia do globo. Tornou-se um Midas, um homem que tudo que tocava virava imediatamente ouro. Milhões de pessoas  se engalfinham em filas pelas suas ultimas novidades e, ele, mesmo assim, morre. Morre como o menino Lucas, que saiu de sua casa depois de ter acumulado uns trocados vendendo jujuba nos ônibus de Salvador para comprar um caminhãozinho, a sua Big Apple, o seu primeiro brinquedo. Ao descer do ônibus ostentando o seu merecido troféu, Lucas foi colhido por uma moto que fugiu levando a culpa e, de quebra, a sua vida.  Ambos realizaram sonhos e, PUM!  Fim. A morte é para todos, assim como o sol.

Bilhões de dólares não salvam vidas! Quando a nossa missão acaba e não há mais o que fazer neste plano, nos vamos sem escapatória. Os Dólares amenizam o sofrimento dos que sucumbem ante a indiferença humana e possibilitam, se distribuídos, um acalanto para o sofrimento daqueles que não os tem. O poder não salva vidas, mas, através dele, pode-se fazer a vida de todos muito melhor. Dinheiro e poder são os objetos da ilusão material que a Física Quântica já se encarregou de desvendar. Eles alimentam os nossos sentimentos primitivos, nos levam a cobiça e à morte, justamente quando deles fazemos os guias das nossas vidas. O poder desvirtua o valor e o dinheiro materializa a ilusão.

Sonhemos com um mundo livre da morte, livre da dor, onde nos entendamos como Espíritos que somos, livres da ilusão de um mundo onde nada adianta matar para continuar a ser ou morrer apenas  para poder ter. No final, todos estes corpos perecerão e, depois disto, continuaremos a sós com as nossas culpas e as nossas dividas. É preciso dar valor apenas ao que tem valor eterno. Pensem nisto!


* - Paulo de Tarso: Sócio-diretor da Ideia Digital, Analista de Sistemas, Especialista em Redes de Comutadores, Certificado Chief Security Officer (Módulo), Ex-Presidente da ASSESPRO, Membro do CDI (Committee to Democratize Information Technology).

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